quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Um dia vitorioso - parte 2

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009. Recebo um telefonema e acho que reconheço o número. Era Monique, a consultora que me entrevistara na quarta-feira. Recebo a notícia tão esperada: "Estou ligando para marcar uma nova entrevista com você". Eu confesso que fiquei muito, mas muito nervoso. Me lembro que não consegui escrever o endereço por inteiro e faltaram alguns dados, e para piorar, eu comecei a pensar se eu tinha escrito o endereço certo.
O momento foi muito engraçado. Eu estava no MSN conversando com o meu amigo que me dara sugestões sobre como eu deveria me comportar na entrevista e estávamos falando exatamente sobre isso, a minha entrevista. Ele sempre dizendo que eu iria receber a ligação com uma boa notícia e que eu conseguiria essa vaga, e alguns minutos após dele desconectar-se, recebo a ligação. Estranho, não? Será que esse amigo tem poderes? lol

No mesmo dia, marco com um colega da Alemanha em um lugar perto do local da minha entrevista. Eu vou levá-lo para conhecer Santa Teresa e andar de bonde pela primeira vez.

Chega o dia da segunda entrevista. Visto novamente o meu terno e pego o metrô em direção ao meu destino. Andando pela rua até achar o endereço, percebo olhares novamente. Não me sentia estranho, mas muitos me olhavam com olhos de aprovação. Fiquei feliz.

Andando pelas ruas, percebo um constrate com o antigo e o novo. Prédios antigos e com história e outros completamente novos faziam parte do cenário. Passeio por ruas conhecidas por todos e tenho a oportunidade de estar entre aqueles que são vistos como senhores e senhoras da alta sociedade.

Chego o prédio de destino. Subo até o 7º andar. Aquele foi o elevador mais rápido que usei em toda a minha vida. Chego no local marcado para a entrevista. Que aparência! Vejo uma secretária em seu balcão e logo atrás o nome da empresa. Falo com a secretária sobre a minha entrevista e ela me pede para esperar em uma sala aonde há dois senhores de idade. "Bom dia!", falo eu a eles. Dentro de alguns minutos, surge um homem desejando bom dia e logo atrás uma mulher. Meu coração acelerou pois pensei que ele fosse a pessoa que iria me entrevistar, mas felizmente era com os dois senhores. Mas em segundos, aparece um outro homem e sem demora olha para mim e diz: "Deric?!". Eu digo que sim e ele me chama. Ele se apresentou mas confesso que o nervosismo era um pouco alto e acabei esquecendo o nome dele. Espero que ele não fique chateado por isso. LOL

Ele me encaminha para uma sala onde ficamos a sós. Meu coração bateu forte no momento em que toquei na cadeira. Eu falei comigo mesmo: A hora é agora. Na minha mente veio aquele meu amigo que tanto falei até agora. Eu pensava que o meu entrevistador fosse ele e assim eu podería falar abertamente, sem complicações, timidez ou insegurança. Começa a entrevista, mas espere, ele é gago. Eu pensei: Ou ele é gago ou está mais nervoso do que eu. Continue sério e sempre mantive o foco de uma das regras em uma entrevista: sempre espere a sua vez de falar. E foi isso o que fiz, principalmente pelo fato de meu entrevistador ser gago. Eles não gostam que terminem as frases para eles.

A conversa flui muito bem. Apóio os meus braços sobre os braços da cadeira e relaxo. Ele me explica sobre como funciona a empresa e o que espera de mim. Falo com ele sobre alguns dos meus sonhos e percebo um breve sorriso no canto da boca. Me senti confortável com ele. Ele me pede três virtudes e três defeitos. Cito as virtudes, mas os defeitos... Naquele exato momento eu não conseguia lembrar dos defeitos, o que era estranho, sempre apresento os meus defeitos e as virtudes deixo que conheçam aos poucos. Mas entre as virtudes, de cara citei: paciência, observador e determinado. Sobre os defeitos, tentei enrolar e falei timidez e teimoso. Ele perguntou o meu signo, e quando disse escorpião ele riu, e foi um grande riso. Ele também era escorpião. Parece bobeira, mas foi bom. Um pouco a mais e quase pergunto o seu aniversário, mas deixei isso para outro dia.

Após um bate-papo descontraído com o entrevistador, nos despedimos, mas antes pergunto aquilo que vinha me encomodado há muito tempo: "Qual a maneira certa de usar a gravata?". Acho que isso fez quebrar o gelo e ele me ajudou com isso. Foi bom, acho que isso demonstrou que estou disposto a aprender.

Eram 2:24 da tarde quando digo o último adeus do dia para aquele homem que decidiria o meu futuro.

Após isso, percebo que ainda é cedo para encontrar o alemão que havia marcado anteriormente. Eu tinha marcado para às 3:30 da tarde. Tive que improvisar e mais uma vez, fui andar pela cidade para sentir o lugar. Vejo uma loja da Victor Hugo e penso: "Vou entrar lá". Quando entro, rapidamente vem uma vendedora me atender. Peço para olhar alguma bolsa feminina e digo que é um presente para minha mãe. Por dentro, eu me perguntava o que eu estava fazendo lá, se eu não tinha dinheiro nem para pagar minha passagem de volta, mas por fora eu estava radiante por poder entrar em uma loja de grife, tocar no produto e não ser mal atendido por não transparecer respeito. Depois de algumas tentativas para despistar a vendedora e ir embora, eu peço um cartão para então sair.

Passeando por vários lugares, vejo inúmeras pessoas e muitas delas me olham. Observo a sua postura, o seu andar, o seu traje e a sua aparência. Todos pareciam tão importantes.

Finalmente chega a hora de encontrar esse meu colega. Vou até o local marcado e espero por ele. Vestindo um terno preto, uma blusa branca e uma gravata verde com detalhes branco, turistas e brasileiros me olham admirados. Sentado enquanto esperava o meu amigo, turistas vinham falar comigo, algo que nunca havia acontecido e era o que eu mais queria, me sentir útil para eles. Eu tenho um sonho de trabalhar COM eles e PARA eles, e desde agora mantenho contato com todos os que eu puder para poder um dia então realizar o meu sonho.

Vejo duas meninas turistas. Elas me perguntam informações sobre horas e preço do bonde. Eu ajudo e vejo o descontentamento em seus rostos quando lhes falo sobre o atraso dos carros. Pergunto se já estiveram em outros pontos turísticos da cidade e cito o Jardim Botânico. Elas não tinham ido lá ainda. Elas se interessam e eu as ensino como chegar lá. Me presto a levá-las até a estação do metrô para não se perderem. Durante o caminho, recebo uma ligação. Era uma mulher. Quem? "Aqui é a Monique, tudo bem?". O meu coração disparou. Sem perder tempo ela fala: "Estou ligando para avisar que você foi APROVADO na entrevista e que você começa no próximo dia 1º de setembro."

O meu coração dispara tão forte que deixo escapar um grande sorriso em meu rosto. Em minha mente veio a imagem do meu amigo dizendo: Você vai conseguir essa vaga. E ele estava certo. eu finalmente tinha achado um bom emprego. Eu não podia acreditar que eu a partir do dia 1º de setembro trabalharia para uma empresa de advogados. Ela me pergunta se tem como eu anotar os documentos que preciso levar na empresa no dia seguinte, mas como eu estava na rua, não podia, então pergunto se é possível ligar para a minha casa e deixar o recado com a minha mãe. Ela diz que sim e se despede. Eu a agradeço e desligo o telefone. Sem muitas palavras, falo com a maior felicidade do mundo com as duas meninas turistas de que eu tinha conseguido um emprego. Elas na mesma hora se alegraram junto comigo e me desejaram felicidades.

Então, depois de muita emoção no mesmo minuto, deixo as meninas na estação do metrô e as ensino como chegar no destino. Elas novamente me desejam o melhor se nos despedimos. Assim volto para o local aonde eu encontraria o alemão com um sorriso no rosto e uma grande notícia em minha boca. Agora eu tinha uma grande novidade quando eu o encontrasse.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Um dia vitorioso - parte 1

Geralmente uso este blog para postar meus poemas e pensamentos, mas hoje gostaría de escrever sobre outra coisa: o meu novo trabalho. Sim, eu consegui e estou empregado novamente, porém não em uma loja de sapatos trabalhando como estoquita, agora sou um mensageiro. Tenho responsabilidades maiores e desafiadoras também, mas isso eu sei que posso vencer.
Tudo começaou na semana passada, na quarta-feira pra ser mais exato. Conversando com um grande amigo meu, recebo um telefone. Era uma mulher com o nome de Monique. Após a apresentação, recebo a frase que tanto esperava: você está convocado para uma entrevista de emprego. Confesso que na hora eu fiquei nervoso; minhas mãos tremiam e só me faltava o coração sair pela boca. Anotei o endereço e desliguei o telefone. De volta ao MSN, esse grande amigo se tornou imenso em me ajudar dando dicas sobre como me comportar, o que vestir e o que falar. Guardei tudo na memória e fiz exatamente o que ele disse. No dia da entrevista, acordo cedo e visto o meu terno. No metrô à caminho do meu destino, pessoas em volta me olhavam. Eu tentava advinhar o que elas deviam estar pensando, eram muitos olhares. Eu sempre achava que olhavam pra mim e pensavam: "Nossa, como ele está elegante de terno". E assim fui, em meio a olhares e suspiros.

Chego na minha cidade destino. Vejo pessoas vestidas iguais a mim e vejo outras melhores. Muitos iam para algum lugar, outros ficavam parados, mas todos faziam algo. Andando pela rua percebo mais olhares. Notei pessoas olhando-me dos pés à cabeça e pensei: "Espero que eu não tenha colocado a gravata da maneira errada.". E caminhei. A cada passo, uma certeza, este é o meu lugar. Confesso que naquele exato momento a minha experiência como estoquista de uma loja de calçados se tornou insignificante. Em meio a uma multidão de pessoas vestidas de ternos, me senti em casa e feliz pela primeira vez em relação a trabalho. Quando parei no semáforo, olho para o meu lado e vejo um prédio mais alto do que o outro, e cada um com o seu devido designer. Mais uma vez me sinto em casa.

Finalmente chego no prédio destinado. "Bom dia! 5º andar por favor.", falo eu para o senhor responsável. Chego no escritório e procuro a responsável da ligação: "Bom dia! Monique por favor, tenho uma entrevista marcada". Conheço os meus competidores. Confesso que de todos, eu era o mais bem vestido. Será que jeans é realmente uma boa opção para uma entrevista de emprego? Tirei a conclusão que se a vaga oferecida for para algum lugar onde haverão outros usando também, não tem problema. No meu caso, a roupa estava certa. Demonstrei respeito e postura, e foi exatamente o que a entrevistadora pediu de nós.

A entrevista transcorreu super bem. Fiz exatamente o que meu amigo tinha mandado fazer (aliás, mando um grande abraço a ele pois devo este emprego a ele também) e fiquei relaxado. Em minha mente tive a entrevistadora como uma amiga e fui super claro e objetivo com ela. Falei sobre as minhas experiências anteriores e o motivo pelo qual estou querendo a vaga. Ganhei um muito obrigado e observei a apresentação dos outros colegas.

- "Você tem algum conhecimento em informática?"
- "Tenho, fico o dia todo na internet, tenho que aprender alguma coisa né?
- "E por quê você quer esta vaga?"
- "Eu quero esta vaga porque pretendo fazer um curso de segurança do trabalho. Tenho uns amigos que trabalham nessa área e me disseram que ganham super bem, então eu resolvi fazer um curso, mas não tenho dinheiro, e esta vaga vai me ajudar muito."
- "Por quê você saiu do seu último trabalho?"
- "Porque eu não tinha benefícios. A minha carteira não era assinada e o meu chefe me fez fazer uma coisa e no fim deu outra, o que fez com que o cliente tentasse culpar a mim pelo erro cometido pela empresa. No final das contas acabamos discutindo e pedi para sair do emprego."

Sim, acredite se quiser. Todas essas frases foram realmente ditas. Por fim, a entrevistadora saiu da sala e voltou em alguns instantes dizendo os nomes dos que não continuaríam na entrevista. Por incrível que pareça, foi o momento em que me senti mais relaxado. Geralmente ficamos nervosos, não é mesmo? Mas comigo não. Você sabe quando você foi bom em algo e sabe quando você rendeu bons frutos. Quando ela voltou, citou 4 nomes, o meu não estava lá para um pequeno alívio a mais no meu coração: eu continuava na entrevista. Após isso, ela volta com um caderno de perguntas e respostas e uma folha. O caderno era um teste, aonde eu marcava as opções que mais combinavam comigo e o meu resultado diria um pouco sobre a minha personalidade. Na outra folha haviam duas perguntas: "Quais são as suas expectativas para esta vaga?" e "Quais são as suas expectativas tanto para a carreira profissional e para a vida pessoal?". O que eu devia fazer? Uma redação com no máxmo 15 linhas. Aqui vai uma coisa curiosa: eu sou péssimo em matemática, amigos até brincam comigo sobre isso, mas com as palavras, eu sou melhor do que muitos pensam. Mas por incrível que pareça, fiquei nervoso. Nem sempre eu sou bom escrevendo sobre algum tema específico se eu não o conheço primeiro. Mas comecei a escrever. Falei com o coração e tenho certeza que devo ter fugido completamente do roteiro sobre redações em entrevistas de emprego, mas tenho certeza que fui muito bom. Quer saber o que eu escrevi? Fica para um próximo post. LOL

Enfim termino a minha redação. Entrego para a entrevistadora e todos os candidados restantes saem na mesma hora. Me despeço da entrevistadora e sigo os meus passos de volta para casa.


Continua no próximo post...

sábado, 22 de agosto de 2009

I'll be there

Listening to some musics, I found one which says exactly what I want to say to you right now.


Jackson 5 - I'll be there

You and I must make a pact
We must bring salvation back
Where there is love
I'll be there (I'll be there)

I'll reach out my hand to you
I'll have faith in all you do
Just call my name
And I'll be there (I'll be there)

I'll be there to comfort you
I'll Build my world of dreams around you
I'm so glad that I found you
I'll be there with a love so strong
I'll be your strength
You know I'll keep holding on

Let me fill your heart with joy and laughter
Togetherness when it's all I'm after
Just call my name
And I'll be there (I'll be there)

I'll be there to protect you
With an unselfish love that respects you
Just call my name
And I'll be there (I'll be there)
I'll be there to comfort you
Build my world of dreams around you
You know I'm so glad I found you
I'll be there with a love so strong
I'll be your strength, you know I'll keep holding on

If you should ever find someone new

I know she'd better be good to you
'Cause if she doesn't
Then I'll be there (I'll be there)

Don't you know baby
I'll be there
I'll be there
Just call my name
And I'll be there
Just call my name
And I'll be there

I'll miss u

Você conseguiu; conquistou o seu espaço e a partir da próxima semana você será notado. Estou feliz por você mas ao mesmo tempo triste. Feliz por você estar feliz e triste por ter que aceitar a idéia de diminuir o nosso pouco tempo de contato.
Depois de 6 meses, o sentimento ainda é o mesmo, mas dentro de mim começa a surgir uma carência e um vazio por ter que te deixar ir mesmo sabendo que você voltará. Em todo esse tempo em que estivemos juntos aprendi a gostar de você, te aceitar, te compreender, te aconselhar e te admirar. Terei saudades de sua presença, mesmo que a distância. Espero ver-te algum dia, mas enquanto este dia não chega, te esperarei como um bebê que espera pela hora certa para nascer.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fazendo uma escolha

Atendo o telefone.
-Alô? digo eu. Logo escuto uma voz com um sotaque diferente falando o meu nome. Reconheço a pessoa. Eu estava aguardando por sua ligação, era importante para nós dois. Após a conversa, a decisão final: te hospedarei em minha casa.
A caminho do local de encontro, eu fico ansioso e o mesmo tempo assustado. Esta será a primeira vez que hospedo um "estrangeiro". O coração bate um pouco forte por não saber quem exatamente encontrarei, mas me sinto confiante de que foi a escolha certa.
Recebo o seu telefonema. Respondo, mas aligação logo cai em seguida. Sem retornos, o coração começa a ficar preocupado e a mente a pensar na dificuldade do encontro.
Chego no local do encontro e não vejo ninguém. Pergunto aos seguranças ao redor, mas sem informações. Procuro um telefone para fazer uma ligação mas logo avisto alguém semelhante a quem procuro. Me aproximo e pergunto por seu nome: - Pablo? Recebo uma resposta positiva e me alivio por ter tido uma missão cumprida. Minha primeira impressão foi realmente chocante e mais uma vez recebi a mensagem do coração dizendo que foi uma decisão certa a se fazer em convidar essa pessoa a hospedar-se em minha casa. Vestindo roupas sujas, uma mochila pesada e visívelmente carente de alguma ajuda, pegamos a condução em direção à minha humilde residência.
Ao chegar, a anfitriã o comprimenta. Essa é minha mãe, a dona de tudo. Após as apresentações, dou a ele uma toalha limpa e indico o caminho do banheiro para tomar um banho. Após isso, um pouco de comida para acabar com a fome e um colchão para dormir.
Me sinto abençoado desde o momento em que o encontrei. Posso não ser a melhor pessoa deste mundo, mas posso ser o melhor que sou e dar o melhor que tenho. Não tenho muito, mas o que tenho, dou.
Tenho um sonho. Que sonho é este? Isso você só saberá no futuro. Mas uma coisa é certa, ele acaba de completar 5% de sua total realidade.