O momento foi muito engraçado. Eu estava no MSN conversando com o meu amigo que me dara sugestões sobre como eu deveria me comportar na entrevista e estávamos falando exatamente sobre isso, a minha entrevista. Ele sempre dizendo que eu iria receber a ligação com uma boa notícia e que eu conseguiria essa vaga, e alguns minutos após dele desconectar-se, recebo a ligação. Estranho, não? Será que esse amigo tem poderes? lol
No mesmo dia, marco com um colega da Alemanha em um lugar perto do local da minha entrevista. Eu vou levá-lo para conhecer Santa Teresa e andar de bonde pela primeira vez.
Chega o dia da segunda entrevista. Visto novamente o meu terno e pego o metrô em direção ao meu destino. Andando pela rua até achar o endereço, percebo olhares novamente. Não me sentia estranho, mas muitos me olhavam com olhos de aprovação. Fiquei feliz.
Andando pelas ruas, percebo um constrate com o antigo e o novo. Prédios antigos e com história e outros completamente novos faziam parte do cenário. Passeio por ruas conhecidas por todos e tenho a oportunidade de estar entre aqueles que são vistos como senhores e senhoras da alta sociedade.
Chego o prédio de destino. Subo até o 7º andar. Aquele foi o elevador mais rápido que usei em toda a minha vida. Chego no local marcado para a entrevista. Que aparência! Vejo uma secretária em seu balcão e logo atrás o nome da empresa. Falo com a secretária sobre a minha entrevista e ela me pede para esperar em uma sala aonde há dois senhores de idade. "Bom dia!", falo eu a eles. Dentro de alguns minutos, surge um homem desejando bom dia e logo atrás uma mulher. Meu coração acelerou pois pensei que ele fosse a pessoa que iria me entrevistar, mas felizmente era com os dois senhores. Mas em segundos, aparece um outro homem e sem demora olha para mim e diz: "Deric?!". Eu digo que sim e ele me chama. Ele se apresentou mas confesso que o nervosismo era um pouco alto e acabei esquecendo o nome dele. Espero que ele não fique chateado por isso. LOL
Ele me encaminha para uma sala onde ficamos a sós. Meu coração bateu forte no momento em que toquei na cadeira. Eu falei comigo mesmo: A hora é agora. Na minha mente veio aquele meu amigo que tanto falei até agora. Eu pensava que o meu entrevistador fosse ele e assim eu podería falar abertamente, sem complicações, timidez ou insegurança. Começa a entrevista, mas espere, ele é gago. Eu pensei: Ou ele é gago ou está mais nervoso do que eu. Continue sério e sempre mantive o foco de uma das regras em uma entrevista: sempre espere a sua vez de falar. E foi isso o que fiz, principalmente pelo fato de meu entrevistador ser gago. Eles não gostam que terminem as frases para eles.
A conversa flui muito bem. Apóio os meus braços sobre os braços da cadeira e relaxo. Ele me explica sobre como funciona a empresa e o que espera de mim. Falo com ele sobre alguns dos meus sonhos e percebo um breve sorriso no canto da boca. Me senti confortável com ele. Ele me pede três virtudes e três defeitos. Cito as virtudes, mas os defeitos... Naquele exato momento eu não conseguia lembrar dos defeitos, o que era estranho, sempre apresento os meus defeitos e as virtudes deixo que conheçam aos poucos. Mas entre as virtudes, de cara citei: paciência, observador e determinado. Sobre os defeitos, tentei enrolar e falei timidez e teimoso. Ele perguntou o meu signo, e quando disse escorpião ele riu, e foi um grande riso. Ele também era escorpião. Parece bobeira, mas foi bom. Um pouco a mais e quase pergunto o seu aniversário, mas deixei isso para outro dia.
Após um bate-papo descontraído com o entrevistador, nos despedimos, mas antes pergunto aquilo que vinha me encomodado há muito tempo: "Qual a maneira certa de usar a gravata?". Acho que isso fez quebrar o gelo e ele me ajudou com isso. Foi bom, acho que isso demonstrou que estou disposto a aprender.
Eram 2:24 da tarde quando digo o último adeus do dia para aquele homem que decidiria o meu futuro.
Após isso, percebo que ainda é cedo para encontrar o alemão que havia marcado anteriormente. Eu tinha marcado para às 3:30 da tarde. Tive que improvisar e mais uma vez, fui andar pela cidade para sentir o lugar. Vejo uma loja da Victor Hugo e penso: "Vou entrar lá". Quando entro, rapidamente vem uma vendedora me atender. Peço para olhar alguma bolsa feminina e digo que é um presente para minha mãe. Por dentro, eu me perguntava o que eu estava fazendo lá, se eu não tinha dinheiro nem para pagar minha passagem de volta, mas por fora eu estava radiante por poder entrar em uma loja de grife, tocar no produto e não ser mal atendido por não transparecer respeito. Depois de algumas tentativas para despistar a vendedora e ir embora, eu peço um cartão para então sair.
Passeando por vários lugares, vejo inúmeras pessoas e muitas delas me olham. Observo a sua postura, o seu andar, o seu traje e a sua aparência. Todos pareciam tão importantes.
Finalmente chega a hora de encontrar esse meu colega. Vou até o local marcado e espero por ele. Vestindo um terno preto, uma blusa branca e uma gravata verde com detalhes branco, turistas e brasileiros me olham admirados. Sentado enquanto esperava o meu amigo, turistas vinham falar comigo, algo que nunca havia acontecido e era o que eu mais queria, me sentir útil para eles. Eu tenho um sonho de trabalhar COM eles e PARA eles, e desde agora mantenho contato com todos os que eu puder para poder um dia então realizar o meu sonho.
Vejo duas meninas turistas. Elas me perguntam informações sobre horas e preço do bonde. Eu ajudo e vejo o descontentamento em seus rostos quando lhes falo sobre o atraso dos carros. Pergunto se já estiveram em outros pontos turísticos da cidade e cito o Jardim Botânico. Elas não tinham ido lá ainda. Elas se interessam e eu as ensino como chegar lá. Me presto a levá-las até a estação do metrô para não se perderem. Durante o caminho, recebo uma ligação. Era uma mulher. Quem? "Aqui é a Monique, tudo bem?". O meu coração disparou. Sem perder tempo ela fala: "Estou ligando para avisar que você foi APROVADO na entrevista e que você começa no próximo dia 1º de setembro."
O meu coração dispara tão forte que deixo escapar um grande sorriso em meu rosto. Em minha mente veio a imagem do meu amigo dizendo: Você vai conseguir essa vaga. E ele estava certo. eu finalmente tinha achado um bom emprego. Eu não podia acreditar que eu a partir do dia 1º de setembro trabalharia para uma empresa de advogados. Ela me pergunta se tem como eu anotar os documentos que preciso levar na empresa no dia seguinte, mas como eu estava na rua, não podia, então pergunto se é possível ligar para a minha casa e deixar o recado com a minha mãe. Ela diz que sim e se despede. Eu a agradeço e desligo o telefone. Sem muitas palavras, falo com a maior felicidade do mundo com as duas meninas turistas de que eu tinha conseguido um emprego. Elas na mesma hora se alegraram junto comigo e me desejaram felicidades.
Então, depois de muita emoção no mesmo minuto, deixo as meninas na estação do metrô e as ensino como chegar no destino. Elas novamente me desejam o melhor se nos despedimos. Assim volto para o local aonde eu encontraria o alemão com um sorriso no rosto e uma grande notícia em minha boca. Agora eu tinha uma grande novidade quando eu o encontrasse.