sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O dia anterior se vai. Um novo dia começa e eu continuo a minha rotina fazendo aquilo que eu comecei a fazer. Após o almoço, pego o meu livro e vou para a varanda ler. A cada página virada uma nova aventura. Mergulho de corpo e alma na leitura e imagino as cenas em minha mente tendo o livro como script.
É estranho sentar e se ver lendo. Muitos não tem isso em suas atividades por falta de interesse ou tempo. Eu não me via lendo, mas com o passar do tempo, resolvi acrescentar conhecimento à minha vida além de anos de idade.
"Por você faria isso mil vezes", dizia um dos personagens. Me peguei pensando até que ponto eu iria pelos outros e até onde eles iriam por mim. Vivo num mundo tão egocêntrico. O amor para muitos está ligado à sexualidade. Os que procuram a paz, procuram nas pessoas erradas, querem ver dos outros e nos outros aquilo que eles não têm. Cobra-se prosperidade, honestidade e justiça mas não as tem.
Passado algum tempo, após terminado de ler mais um capítulo do livro, tomo um banho e vou caminhar um pouco pela minha cidade. Com o fone nos ouvidos e escutando música no celular, compro um açaí, que por muito tempo é a minha rotina no turno da noite, e vou dar uma volta na praça, onde me assento sozinho para observar o movimento à minha volta. Vejo crianças correndo; grupos de amigos; rapazes jogando futebol; e vejo a mim, sozinho, sentado no banco da praça tomando um açaí. A princípio seria uma cena triste, mas me acostumei a ser sozinho. Sou filho único, sei muito bem o que é ficar sozinho. Antes eu ligava e me sentia triste por estar sozinho, hoje aprendi a ter a mim mesmo como amigo. Já fomos ao cinema e shopping juntos. Não digo ser uma das maravilhas, mas não é o fim do mundo. É bom, porque conversamos sobre bastantes coisas sobre mim e sobre as coisas que os outros não sabem conversar comigo: as coisas simples da vida. O mais engraçado de tudo é quando nos falta assunto e eu sou obrigado a ter algo para me destrair. Nessas horas o meu "querido" celular entra em campo. Mas acho que o pior de tudo, é quando o meu 'amigo' resolve me trazer a memória lembranças engraçadas de situações já ocorridas entre nós. Eu como não consigo de jeito maneira segurar o riso, sou obrigado a comprar um sorvete para poder calar a boca ou então começar a cantar (sem saber a letra) para poder disfarçar o riso junto aos lábios que se movem "tentando" cantar a música.
O meu 'amigo' é legal. Me entende, me ouve, me respeita. Sabe conversar sobre tudo. Quase nunca ficamos sem assunto. É um bom companheiro nas horas tristes também. Sempre me aconselha com aquilo que realmente vai me animar antes dos outros amigos me aconselharem. Mas às vezes ele é um mala. Me deixa confuso, fala besteira e não me deixa dormir. Lhe falta um pouco de disciplina, discernimento e sabedoria também. Ele é do bem, mas tem horas que um malvado e tanto. Traiçoeiro, inseguro e egoísta.
Sentado na praça, relembro do dia em que uma amiga se achega até mim e fala:

- Tenho uma amiga para te apresentar.

Eu então fico admirado e surpreso. Pergunto quem é e ela me amostra uma foto sua. Eu me simpatizei pela pessoa mostrada e disse que quando ela quiser poderíamos nos conhecer. Ela disse que sim e marcou um dia.

Enquanto o dia não chegava, minha imagem de bom menino só foi aumentando. Um elogio aqui e outro ali. Uma descrição de uma qualidade minha aqui e acolá, foi o suficiente para entusiasmar a menina para conhecer-me. Chega o grande dia.
Um rosto tímido mas ao mesmo tempo radiante, demonstra ser uma pessoa comunicativa e de bom coração. Um sorriso tão vasto que chega os seus olhos se contraíam quase fechando-os. Super simpática, ela ria das frases bobas que eu falava para ser educada. Mesmo que não parecesse sincera em alguns momentos, me senti satisfeito. Gosto de fazer os outros rirem. Me faz bem. Tomamos um açaí e fomos dar uma volta na praça para nos conhecer melhor. Por fim, nos despedimos com um beijo no rosto.
Depois daquele dia a nossa amizade mudou. Cresceu e em pouco tempo já estávamos ficando íntimos. Um sentimento surgiu no ar. Será paixão? Tá cedo para dizer.Vou esperar o tempo passar e ver no que isso vai dar. Até lá, tentarei me aproximar.


continua...